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Eu amo

E quando as esperanças parecem estar se desvaindo? E quando a dor é tão grande que você não enxerga mais nada? E quando você não quer nem levantar da cama no final de semana?
A morfina bem que poderia funcionar nesses casos. Ela poderia tranquilizar os pensamentos e o coração. Se bem que, se funcionasse, provavelmente seria um viciado. E, cedo ou tarde, meu corpo iria se adaptar à droga.

O que pode, então, funcionar neste caso? Aquele ditado vem à cabeça: “Melhor prevenir do que remediar”. Será mesmo?

Será mesmo que é melhor deixar de sentir o sentimento, aquele que torna a vida perfeita, completa, redonda?

Será que é bom deixar de poder tocar nesse sentimento?

Será que evitando de sentir uma explosão química a cada microsegundo é a melhor alternativa para viver a vida?

A minha primeira namorada me disse uma vez, assim mesmo, em uma “carta”, em letras maiúsculas:

“VIVA A VIDA INTENSAMENTE”

Nunca me esqueci, e nem vou. Não, ela não foi, nem é, a pessoa mais importante pra mim, mas mesmo assim, ela, com seus 15/16 anos, foi a primeira pessoa de quem ouvi isso. Na época não capturei tudo o que vinha junto com a frase.

Hoje só capturo, porque as dúvidas aqui expostas, refletem esta frase.

Mas é engraçado, não são dúvidas verdadeiras. São dúvidas racionais, para ser redundante, que vêm da cabeça.

São dúvidas que nem me atrevo a verbalizar. Pois imediatamente ao tê-las, algo dentro de mim grita, esperneia, faz de tudo para chamar a minha atenção.

Se eu, então, cedo aos pedidos, sinto todos os sentimentos fantásticos e fortes concentrados em menos de milésimos de segundo. Por isso, a minha cabeça tem as respostas quase que instantâneas.

Releio o texto que escrevi “Felicidade” e capto racionalmente as sensações. Revivo, enfim, em poucos instantes os sentimentos.

Será que não era melhor ter remediado? Eu viveria pelo menos como uma dessas pessoas, que ficam felizes quando compram um carro de última geração!

Será? Não.

Prefiro morrer tendo vivido, a viver sem ter nem ao menos nascido.

Olho para a minha vida com orgulho, sempre querendo mais. Mais emoções, mais carinho, mais, mais, mais, mais….

Vivo a vida para ter cada vez mais contato com as pessoas. Vivo a vida para que possa dizer de coração todos os dias: Eu Amo!

Assim mesmo, sem pronomes.

Eu amo

Edição 15 de Julho de 2008.

Amo pessoas que iluminam o olhar diante da pessoa amada, que beijam na boca e não estão nem aí para a platéia ou julgamentos, elas amam amar o amor…
Amo pessoas de todas as idades, as que não sabem a idade que tem, se são velhos, adolescentes ou crianças. Elas sabem simplesmente se encaixar no tempo….
Amo pessoas que cantam no chuveiro e que olham para o espelho, se acham lindas e sorriem para que a imagem devolva o sorriso. Elas com certeza receberão sorrisos, mesmo sem espelhos…
Amo pessoas de mãos generosas no doar, no afeto e no oferecer. Elas entendem que o presente fica em parte com quem recebe, em parte com quem doa…
Amo pessoas que não tem medo de se arriscar, de mudanças, de finais ou recomeço. Elas jamais dirão: Como seria, se eu tivesse tido coragem…
Amo pessoas que ficam olhando o horizonte de bobeira, que deitam na grama para olhar nuvens passar ou contar estrelas, elas conhecem, e muito, de paz….
Amo pessoas que escutam passarinho quando canta, que olha o sol quando levantam e que brincam de faz de conta com crianças, elas sabem que ser feliz é simples..

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